Pela primeira vez, paulistanos elegem o SUS como melhor serviço público da cidade

Após um ano de pandemia, momento em que o SUS (Sistema único de Saúde) foi testado diariamente e mais exigido do que nunca, o sistema foi eleito pela primeira vez pelos paulistanos como o melhor serviço público da cidade.

Apontado como o melhor da capital por 13% dos entrevistados, o desempenho do programa foi de sete pontos percentuais acima que o do último levantamento, realizada em fevereiro de 2020, quando obteve 6% das menções. O Datafolha faz a pesquisa anualmente desde 2015, quando o SUS teve 2% das menções.

Em conversa com a folha, Edson Aparecido, secretário da Saúde de São Paulo, afirma muita gente passou a conhecer melhor o sistema em 2020, durante a pandemia, mesmo que já o utilizasse.

“As pessoas viram na TV o tempo inteiro o esforço que era feito para atender a todos. Acho que isso ficou mais perceptível durante a pandemia. Quem já utilizava o sistema também passou a vê-lo de forma diferente, criou mais vínculo”, diz.

O secretário pondera, porém, que muitos dos que não o usavam passaram a fazê-lo por causa da crise de Covid-19, e isso criou novos admiradores do serviço.

“Muita gente criticava sem conhecer. Tivemos muitas internações de gente com convênio. Outros foram tomar vacina na UBS (Unidade Básica de Saúde) e descobriram que têm direito a pegar um determinado remédio de graça, algo que não sabiam”, diz o secretário.

Ele declara esperar um aumento brutal na demanda do SUS mesmo depois da pandemia, e esse é um dos motivos. “Também quem tem plano de saúde vai seguir nos procurando.”

Marco Akerman, professor da faculdade de saúde pública da USP, acha que uma maior discussão sobre o sistema, que teve muito espaço na mídia durante a pandemia, também contribui para o resultado. “Houve uma espécie de campanha de valorização do SUS nas TVs e nos jornais. Antes da pandemia, era mais comum ver nesses meios só os defeitos do sistema.”

O SUS passou a ser mais exaltado também por meio de algumas atitudes simples, que também influenciam a opinião pública.

O professor se lembra das coletivas do então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, no ano passado.

“Ele e toda sua equipe iam para as entrevistas com o colete do SUS. O normal é a gente ver os ministros de terno e gravata”, diz.

SUS (SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE)

Fundação
1988

Funcionários*
8.870

Atendimentos*
34.646.839, juntando as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e as AMAs (Assistência Médica Ambulatorial) em 2020 (média de 125.740 por dia); no estado, 61,27% dos 45 milhões de habitantes usam exclusivamente o sistema, de acordo com dados do DataSUS

Ações sociais*
A Secretaria Municipal da Saúde, por meio de suas 468 UBSs, distribuiu cestas básicas nas comunidades em 2020 para mitigar os efeitos da pandemia. Foram atendidas 55.801 famílias, num projeto que envolveu 2.377 profissionais e forneceu 55.167 máscaras. Além disso, os funcionários orientaram essa população quanto aos cuidados para evitar o contágio e a transmissão do vírus e, se necessário, encaminharam quem apresentava sintomas para os serviços de saúde. Houve 212 encaminhamentos deste tipo

*dados da cidade de São Paulo

Não é um resultado inesperado. Vemos reconhecimento de todo o trabalho de uma equipe multidisciplinar engajada, vestindo a camisa do SUS para fazer as coisas acontecerem. O sucesso não é só por causa do governo federal, dos estaduais e dos municípios, mas também graças a essa equipe: médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos, auxiliares técnicos e todos que atuam na linha de frente”

José Carlos Paludeto
superintendente do SUS no estado de São Paulo


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