Primeiro dia do evento reuniu especialistas e gestores públicos para discutir desafios do SUS, envelhecimento populacional, crise climática, critérios de repasse de recursos e organização regional da saúde
Os desafios para garantir a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS), diante de mudanças demográficas, econômicas e ambientais, estiveram no centro dos debates do primeiro dia do Seminário SUStentabilidade 2026. Promovido pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), o evento ocorre nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, no auditório do Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília, com transmissão online pelo YouTube.
A abertura reuniu representantes de instituições ligadas à saúde pública e ao controle da administração. O ministro do TCU Augusto Nardes destacou a importância do fortalecimento dos mecanismos de governança e da criação de sistemas permanentes de monitoramento, além da realização de auditorias capazes de prevenir problemas na gestão do SUS nas diferentes esferas de governo.

“Se não implantar uma boa governança, eu não vejo esperança para a nação brasileira. Nós não conseguimos disputar com outras nações que fazem projetos a médio e longo prazo”, afirmou Nardes.
Na sequência, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chamou atenção para as transformações provocadas pelo envelhecimento da população e para a necessidade de atualização contínua do sistema público de saúde. “A Organização Mundial da Saúde aponta um impacto de um aumento de 400% de demanda do sistema de saúde em países em desenvolvimento, que estão vivendo o processo de envelhecimento”, afirmou.
Padilha também relacionou os desafios futuros do SUS aos efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde. Citando dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou que uma em cada quatro mortes no mundo está diretamente relacionada às mudanças climáticas e mencionou alterações na distribuição de doenças e de seus vetores.

“Nos anos 90 não tinha dengue na cidade de São Paulo. Existia em Campinas, Sorocaba, mas na capital não. A teoria mais aceita pelos especialistas era a temperatura fria da madrugada, que impedia a disseminação do vetor. Mas, em 2015, a cidade de São Paulo passou a sofrer com surtos da doença”, exemplificou.
Representando a presidente do Ibross, Virgínia Angélica Silveira, diretora de Ensino e Novos Associados da entidade, ressaltou a importância da atuação das Organizações Sociais de Saúde na gestão de serviços públicos e no cuidado prestado à população pelo SUS.

Primeiro dia
Após a mesa de abertura, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, apresentou a palestra “Desafios atuais para o financiamento da saúde”. Entre os pontos discutidos esteve o impacto do aumento da expectativa de vida da população brasileira, associado aos avanços da biomedicina e à maior oferta de tecnologias em saúde, sobre os gastos do sistema.
“Nós precisamos entender os sistemas de saúde como organizações altamente complexas e que se adaptam e são influenciadas pelo contexto nos quais elas estão inseridas”, afirmou Massuda.
Segundo o secretário, diferenças políticas, culturais e regionais também interferem na organização do sistema de saúde e criam novos desafios para seu financiamento.

Em seguida, o secretário-executivo do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Guimarães Junqueira, apresentou a palestra “O modelo de financiamento do SUS e as redes de atenção à saúde”. A exposição abordou as fontes de financiamento do sistema, os custos de sua manutenção e a relação das emendas parlamentares com a organização e o planejamento dos recursos destinados à saúde.
“As emendas parlamentares fazem mal para a saúde. Tem muita gente que discorda, tem gente que recebe emenda toda hora, mas é pontual. Vai chegar uma hora que não vai ter. E aí?” completa Mauro.

A programação prosseguiu com a mesa “Implementação dos critérios de rateio: uma análise após quatorze anos da Lei Complementar 141/2012”, voltada às decisões legislativas relacionadas ao financiamento do SUS e à distribuição de recursos entre os diferentes entes federativos.
O debate foi mediado por Vinícius Augusto Guimarães, auditor-chefe adjunto da AudSaúde do Tribunal de Contas da União, e contou com a participação de Diogo Demarchi Silva, secretário de Estado da Saúde de Santa Catarina e representante do Conass na Anvisa, e Hisham Mohamad Hamida, presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde.

Entre os temas abordados estiveram os critérios para a tomada de decisões, os repasses de recursos entre as diferentes esferas de gestão e a necessidade de maior transparência na movimentação e aplicação dos recursos públicos em saúde.
Encerrando a programação do primeiro dia, a regionalização da saúde foi tema de uma mesa mediada por Guilherme Antônio Maluf, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso e diretor de Desenvolvimento do Controle Externo e Transparência da Atricon.
Participaram do debate Eduardo José Grin, doutor em Administração Pública e Governo pela Fundação Getulio Vargas; Renilson Rehem, consultor da Organização Pan-Americana da Saúde; e Bruno Lima Caldeira de Andrada, diretor de Fiscalização da Atenção Especializada à Saúde da AudSaúde do Tribunal de Contas da União.

